O mundo secularizado acha
que não precisa mais de bênção divina, para que suas tarefas tenham eficácia. A
crise financeira dos países europeus (Grécia, Portugal) não vem confirmar
exatamente isso... Contrariamente ao que dizem "as almas secas" a sagrada
escritura manda: "abençoem, pois para isso vocês foram chamados" (1 Pd 3, 9). Em
virtude dessa ordem, os pais devem abençoar os seus filhos, e a Igreja - através
dos seus Sacerdotes, ou dos seus Leigos encarregados - profere bênçãos na
inauguração de uma escola, de uma loja comercial, de uma nova moradia, de um
veículo. Abençoa, sobretudo, as pessoas. Mas é preciso tomar cautela para não
empobrecer o sentido dessa invocação. Se a Igreja abençoa uma loja, essa
oração é um pedido a Deus, para que os esforços, a inteligência, o tino
administrativo, sejam recompensados. Não é um esconjuro para matar a
concorrência, ou
recompensar a preguiça
e a falta de empenho. Não há bênção capaz de fazer prosperar uma empresa, cujo
dono não trabalha, e não sabe aproveitar as boas oportunidades para
crescer.
Vamos olhar agora para o
esporte bretão. Nos últimos anos não passa jogo de futebol, sem que tenhamos os
gestos religiosos dos "atletas de Cristo" (os outros não são de Cristo?). Podem
eles até não querer dizer exatamente isso. Mas eles passam a ideia de ter o
poder de manipular Deus a seu favor, e de levar os adversários ao prejuízo.
Então, basta ser daquela nova religião, que a vitória é certa. A publicidade é
gratuita. E cada gol vem confirmar o favoritismo. Ora, isso é contra a
paternidade divina. O Criador gosta de todos os seus filhos, também das pessoas
do time adversário. Portanto, a oração de bênção que se pede ao nosso Pai e
amigo, é que os esforços, o treinamento, o bom planejamento, a esperteza dos
jogadores, sejam recompensados. Não podemos,
de
forma alguma, passar a ideia de que o Eterno é parcial, e que Ele só gosta
daqueles que apontam os indicadores para o espaço sideral após cada gol. Eles
precisam, urgentemente, desfazer essa impressão de proselitismo que passam.
Agora, o jogador fazer o sinal da cruz, nunca foi considerado um gesto
agressivo, ou proselitista, mas sim, ato humilde e agradecido, e até
piedoso.
Dom Aloísio Roque
Oppermann, scj